sábado, 31 de outubro de 2020

Idosos, direitos e compromisso social

 

Dia primeiro de outubro iniciamos o mês com o dia nacional do Idoso, que no Brasil passou a vigorar o Estatuto do Idoso, Lei 10.741 de 1º de outubro de 2003.

Por estarmos ainda no mês que se destaca várias homenagens como do professor, do médico, do aviador e tantos outros, devemos lembrar que não se restringe somente ao décimo mês do ano. Por isso, pensar nas comemorações é importante, mas temos que nos preocupar, também com uma camada da sociedade que tem enfrentado uma situação muito constrangedora de humilhação social e de etarismo, a pessoa idosa.

O que é “etarismo”? Segundo a Sociedade de Geriatria e Gerontologia, “é o preconceito contra os idosos referente à saúde, a capacidade e empenho, idade, fragilidade”. Estereótipos como: “não conseguem fazer nada; que não contribuem com a sociedade, que são o ônus para a economia” etc temos ouvido, muitas vezes, principalmente neste tempo de pandemia, em se chegou a dizer na mídia que entre salvar a vida de alguém que estiver no hospital com Covid 19, salve o mais novo. Além dos planos de saúde cobrando mensalidades altíssimas, quanto mais avançada a idade da pessoa.

Outro dia, uma senhora, de 92 anos, queixando-se para um funcionário de um determinado banco financeiro, disse que morrem mais jovens do que idosos, por que, então, os mais velhos não podem financiar um apartamento? (no caso, quando ela tinha 80 anos).

Esse tipo de preconceito deixa muita pessoa idosa, ainda lúcida de suas faculdades mentais, indignadas e constrangidas. Logo, para combater o etarismo, precisamos informar às famílias e aos próprios idosos sobre seus direitos, erradicando, assim, a humilhação social que muitos têm passado. E o que é humilhação social?

De acordo com o psicólogo José Moura Gonçalves Filho, do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo, humilhação social “é um sentimento de desigualdade; consiste numa angústia causada por um impacto traumático que se sofre quando alguém o despreza”. Podemos, portanto, considerar uma tortura invisível, quando é violência psicológica, pela maneira de se falar com a pessoa idosa. Além da violência física, há também a violência financeira e a violência afetiva. Denuncie ao Conselho Estadual do Idoso ou Conselho Municipal do Idoso de seu município ou à Comissão dos Direitos Humanos da Pessoa Idosa, que costuma ter nas Assembleias Legislativas de seu Estado, caso haja abusos por parte da família ou mesmo de Casas de repouso, muitas clandestinas. Há muitas pessoas idosas sofrendo caladas, sem quem as defenda. A delegacia da mulher também é para atender denúncia em relação aos idosos.

A situação da pessoa idosa pelo Brasil

Somos 211 milhões de habitantes no país, destes temos 28 milhões de pessoas idosas, o que representa 13% da população, conforme o IBGE de 2020. Em 2031 há uma previsão de 43 milhões. A maioria é de baixa renda e tem baixa escolaridade. Os tipos de idosos são variados: urbanos, rurais, aposentados, profissionais, desempregados, os que moram pelas ruas.

De acordo com a antropóloga Guita G. Debert (UNICAMP) a categoria idoso é uma “construção social”. Essa construção discutida por diversos autores retrata o papel do idoso na sociedade antes e depois da Revolução industrial, na cultura Ocidental e nas sociedades milenares, o que varia de uma sociedade para outra.

No entanto, alguns filósofos podem auxiliar com suas reflexões. Por exemplo, Cícero (I a.C), filósofo romano, escreve sobre a velhice com otimismo e coragem aconselhando a refutar quatro aspectos indesejados que costumam rondar o imaginário dos anciãos: 1) o impedimento das atividades; 2) debilitação do corpo; 3) afastamento dos prazeres e 4) que está à beira da morte.

Outro filósofo, Sêneca (65 d. C.), chama a atenção para a brevidade da vida, recomenda empregar o tempo da melhor maneira, na prática do bem e das virtudes, pois é a única coisa que levamos desta vida.

Com as mudanças culturais, no século XX, a filósofa francesa Simone de Beauvoir ao dedicar-se sobre o assunto divide em dois momentos a questão: a visão de fora, o da sociedade e a visão de dentro, a do próprio idoso. A vida através dos olhos dos próprios idosos, seja pobre ou rico, apresenta seus sentimentos como jovens. Por isso, respeitar os sonhos dos bisavós, avós, tias e tios, demais pessoas de idade avançada é uma forma de ter respeito.

O fato de uma pessoa idosa morar ou querer viver, na sua casa ou apartamento, sozinha, não quer dizer que ela é abandonada. Devemos diferenciar o idoso abandonado, do idoso independente e daquele que é solitário. Para isso é importante a presença da Pastoral da Pessoa Idoso (PPI), que tem como objetivo ouvir e levar uma palavra de consolo ao outro através de uma visita a esses que nem sempre têm os seus para conversar um pouco ou dar um telefonema.

Seja voluntário em seu condomínio, ou bairro, ou inscreva-se na Pastoral da Pessoa Idosa de uma paróquia ou faça parte do Conselho Municipal do Idoso de seu município.  Procure prestar um serviço às pessoas idosas que tanto fizeram pelo nosso país. Esse compromisso social deixará muitas pessoas idosas felizes. É mais um serviço voluntário às famílias que carecem da presença do Estado para orientar em suas necessidades. 

Leia o Estatuto do Idoso e procure divulgar para que todos tenham uma velhice plena de realizações.

 

sábado, 15 de agosto de 2020

Máscaras em tempo de pandemia: o olhar, o ouvir e a ação

 


“#Fiqueemcasa, mas se sair use máscara.” O compromisso com a vida, com o outro, atualmente começa com um gesto simples, o uso de máscara cobrindo o nariz e a boca. Esse gesto, além de ser uma recomendação dos especialistas da área da saúde é um ato de empatia. E você tem usado sua máscara de modo correto? Quais modelos você utiliza? São tantas profissionais e caseiras, não importa. O importante é não ficar sem o uso da máscara.

O fato de se cuidar demonstra que está cuidando do outro, lembra a frase: “Faça aos outros, o que gostaria que fizessem a você”. Essa máxima nunca foi tão verdadeira quanto a atual conjuntura mundial. Somos todos conectados, afirma a Física Quântica. Nesse sentido, o uso da máscara passou a ser um acessório indispensável para todos independente da classe social, sexo, cor, etnia, idioma. Não basta apenas lavar as mãos, deixar os calçados num canto da casa ou evitar aglomerações, o ar que respiramos não é mais o mesmo...

Analisando esse momento de pandemia gerado pelo Covid 19, em que todo cidadão precisa usar máscara, refletindo podemos aprender algumas coisas. Em tempos de máscaras, chama a atenção o olhar de cada um. Há décadas, as pessoas não se olhavam mais por causa da televisão ou do computador e, recentemente, do celular. Agora, olhar para o outro é um desafio constante, pois os olhos revelam a alma que está dentro de você. E dependendo do seu olhar, de sua empatia, entenderá o outro, devendo colocar-se no lugar dele. Quantos que estão precisando de sua ajuda neste momento de crise, por causa de desemprego, ou por causa de desafetos ou mesmo porque estão doentes, sozinhos. Dar as mãos ou abraçar, devemos evitar; mas, ouvir é de graça! A máscara sinaliza não falar, mas olhar, ouvir e agir; ter compromisso com a vida.

Ficar em casa significa ouvir-se também. Quantos apelos dentro de si que têm lhe transtornado? Ouvir os filhos, a esposa ou o esposo, os pais, os avós. Imagino o quanto de apelos os agentes de saúde (médicos, enfermeiros, técnicos da área de saúde) ouvem todos os dias e a todo instante quando chega mais um enfermo nos hospitais. Há muitos desesperados, desolados. E os cientistas, então? Estão a ouvir o apelo mundial pela vacina ou por uma medicação eficaz. E quantos estão a orar pedindo a Deus que os ouça?

Muitas famílias, neste tempo de pandemia, têm reencontrado com seus afetos antes dispersados. No entanto, outras estão amarguradas pelos desafetos, buscando quem as ouça, quem as socorra. Infelizmente, há muitas “máscaras” invisíveis que não demonstram quem a pessoa é. Geralmente, os que não querem ouvir, automaticamente puxam a máscara protetora para debaixo do pescoço ou, então, nem a usam por descaso.

Mas, quem tem o olhar de empatia e o ouvir solidário busca agir de modo fraterno e justo. A ação passa a ser coerente com a situação. A realidade social clama por pessoas que saibam ver o outro e ouvir os apelos dos mais fracos, dos mais vulneráveis, dos mais isolados, dos mais empobrecidos, porque são os que menos são ouvidos por aqueles que deveriam ouvir e agir através de decisões sensatas.

Além de ouvir os infectados pelo Covid 19, não deixemos de ouvir e agir em prol da vida de negros e mulheres sufocados pela desigualdade, pelo preconceito e pela discriminação. No momento, ainda são os apelos mais expressivos que existem e resistem.

Máscaras em tempo de pandemia significa olhar, ouvir e agir preservando a sua vida e a vida do outro, colocando em prática seus conhecimentos e, também, suas virtudes, como a bondade e a solidariedade, buscando uma ação justa.

Neste tempo de pandemia, ouçamos o apelo do bom senso, ouça os que ainda não têm quem os ouça. Faça valer cada minuto que existe para dar sentido a uma vida sem “máscaras” sociais, que só tem causado decepções e corrupção humana. Que as máscaras visíveis desmascarem as “máscaras” invisíveis que têm torturado tanto a população com as mazelas das injustiças. Cuide-se sem esquecer do seu semelhante.

De volta ao Filosofia em ação. Pensar bem para bem viver

         Axé! Karen! Olá! Desejo a todas e a todos e todes muita saúde.      Infelizmente, durante a pandemia muita/os companheira/os brasil...