Para filosofar

"No governo republicano, a virtude é fundamental, uma vez que ela elimina a corrupção [...]. É fundamental que as autoridades sejam escolhidas por suas capacidades e pela vontade de cuidar do Estado, para que o Estado assuma responsabilidades por meio de políticas capazes de cuidar das pessoas." (Caderno do aluno, Filosofia, vol 2, 1a. série, p.16)

domingo, 26 de março de 2017

Elementos da natureza e os pré-socráticos

  
Maquete representando a tese de
Anaxímenes na EE Oscar A. da Costa
Março 2017.

     Neste primeiro bimestre, como de costume, no mês de março, os estudantes da terceira série do Ensino médio procuram entender como surgiu a Filosofia na Grécia Antiga, e o desafio, é representar a tese de cada pré-socrático em uma maquete demonstrando a evolução científica nos dias atuais.
     Os elementos primordiais (chamados de arché) foram objetos de estudo dos primeiros filósofos e, por isso, chamados de filósofos da natureza.



Maquete representando os átomos feita
pelos alunos 3A EE Oscar A. da Costa.
Março 2017.
     Graças as observações feitas, naquela época, a olho nu, o mundo foi sendo desvendado por conta da investigação. Enquanto as religiões tentavam transmitir a criação do mundo por meio de uma linguagem mítica, ou seja, simbólica, os primeiros filósofos buscavam dar uma resposta racional para os problemas que os inquietavam. Daí, surgiram as escolas: jônica, pitagórica, pluralista, atomista, como vemos na representação ao lado. 
Maquete representando a teoria de
Heráclito que afirmou ser o fogo o arché.
Março 2017

     A natureza (physis) sempre foi um mistério. Mas, de Tales de Mileto a Filolau de Crotona, Heráclito defende o devir, afirmando que "tudo é movimento, tudo se transforma, tudo flui..."
Até hoje a natureza está em mutação, mas seus elementos permanecem os mesmos. Só que naquela época não se sabia explicar com precisão os porquês.


Grupo de alunos da 3A da EE Oscar
Antônio da Costa representando os átomos
Março 2017
 
  
   Os alunos das terceiras séries sabendo da evolução científica procuraram mostrar a tese do pré-socrático e relacionar com as novas teorias, demonstrando, assim, seus conhecimentos adquiridos em Física, Química ou Matemática presente no currículo do ensino médio








    

Alunos 3A EE Oscar demonstrando tese
de Pitágoras. Março 2017.
Alguns pré-socráticos enxergavam apenas um único elemento, mas houve alguns que perceberam que havia mais de um, como o caso dos filósofos pluralistas, como Empédocles, que afirmou a vida da natureza ter quatro raízes como: a água, o ar, a terra e o fogo.
Alunos da 3A apresentando quatro elementos










     Tales, Anaximandro, Anaxímenes, Anaxágoras, Parmênides, Heráclito, Demócrito, Pitágoras, Filolau, Empédocles foram muito importantes para o estudo cosmológico do que chamamos hoje de Física. Mesmo com o preconceito de época, seu início foi árduo e radical para que hoje tenhamos estudiosos que contribuem com a busca da compreensão do mundo em que vivemos. Preservemos a vida, pois dependemos dela para tudo.


Apresentação sobre o arché AR, em
Anaxímenes. EE Oscar, Março 2017

Explicação sobre a rotação da Terra no
tempo de Pitágoras e hoje. Março 2017



domingo, 22 de janeiro de 2017

Carta cidadã e a participação política

     Em outubro de 2016 houve, nos municípios do Brasil, eleições para escolher o representante do Poder Executivo e os representantes do povo para o Poder Legislativo (vereadores), característica do regime democrático num Estado republicano.

     Embora haja muita desinformação, ainda, entre os brasileiros, da real função de cada Poder, muitos cidadãos votaram pela primeira vez entre os jovens de dezesseis a dezoito anos. Como o curso do Ensino Médio tem a finalidade de preparar os estudantes para sua plena cidadania todo fim de ano letivo, no quarto bimestre, os estudantes são, em Filosofia, incentivados a fazer a aula "Participação cidadã" acontecer.

    Em novembro, após uma pesquisa entre os familiares e os moradores de seus bairros, cada aluno traz para a sala de aula as reais necessidades da comunidade que sejam interessantes levar ao conhecimento do prefeito, para que este tome uma atitude diante dos problemas apresentados.

     Depois de serem elencadas as situações em sala de aula, os alunos da primeira série da Unidade escolar EE Orestes Ferreira de Toledo, escreveram a carta cidadã para ser entregue ao prefeito, que deverá repassar para o futuro candidato que administrará, tomando ciência, assim, que  todo problema citado foi uma reivindicação da população de Palmeira d´Oeste-SP.

     A comissão de alunos organizada pela 1a. série A foi até a Prefeitura Municipal acompanhada da professora de Filosofia, Terezinha, para entregar as cartas. Muito bem recebidos pela sua secretária e pelo prefeito em fim de gestão, o Sr. Luciano Angela Esparapani, além de seu vice, conhecido como "Dodô", prontamente responderam as questões colocadas nas mesmas. Algumas reivindicações já estão sendo encaminhadas, mas outras questões, foi explicado, depende de verbas e prioridades votadas pelo Poder Legislativo, na Câmara municipal.
Comissão de alunos da 1A EE Orestes Ferreira
de Toledo em frente ao prédio da Prefeitura
 de Palmeira d`Oeste-SP, Dez 2016

Comissão de alunos 1A com as cartas cidadãs
acompanhados pela Profa. Terezinha na Prefeitura
Municipal de Palmeira d´Oeste, dez 2016.

Prefeito Sr. Luciano Esparapani lendo as
cartas cidadã em seu gabinete junto com
os alunos que o observa. Dez 2016

Comissão de alunos 1A da EE Orestes junto
com o prefeito Luciano e seu vice "Dodô"
Dez 2016












































     Após entrega e leitura das cartas cidadãs, o prefeito parabenizou os estudantes, demonstrando seu papel no Executivo perante a comunidade de Palmeira d´Oeste e a importância da participação cidadã ali exercida que começou também na mesma Unidade escolar.
     Com a consciência cidadã desenvolvida pelas situações de aprendizagem em Filosofia, também enriquecidas pela Sociologia, História e demais disciplinas o compromisso com o aprendizagem vai além da sala de aula.
     Fica aqui, neste novo ano que se inicia, nossos agradecimentos ao Sr. Luciano Esparapani e seu vice Dodô pelo tempo em receber a comissão de alunos da EE Orestes Ferreira de Toledo. Que a cidadania seja exercida por cada um de nós.


quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

O racismo, um drama filosófico (II)

     Racismo no Brasil
    
     Na tese de doutorado de Jair Batista Silva, Racismo e sindicalismo no Brasil: reconhecimento, redistribuição e ação politica das centrais acerca do racismo no Brasil (2002), diferentemente dos Estados Unidos e países anglo saxônicos, o racismo no Brasil é sutil, camuflado.
     Na América do Norte "uma gota de sangue negro era mais que suficiente para macular a suposta pureza racial dos brancos", havia uma segregação social, e ainda, há. A mancha mongólica, como é conhecida, que aparece na região inferior da coluna é o diagnóstico científico de toda criança com cruzamento de gens de etnias ou negra ou asiática ou indígena, e que só some (em alguns casos) após os dois ou três anos de idade. Por isso, ao nascer, a equipe médica já classifica a origem do bebê.
     No Brasil, a eficácia do racismo nutrira-se de uma "democracia racial", tornando a tensão racial inexistente sempre das formas mais maleáveis, mais flexíveis para atingir suas vítimas. Contudo, observando a sociedade brasileira percebemos ainda o quanto o racismo está presente, como os exemplos citados na introdução (na primeira parte deste texto).
     Indicadores da desigualdade racial do IBGE de 2013 revela que 11,8% da população parda ou preta (negra) é analfabeta comparando com a branca que é de 5,3%; serviços domésticos são 10,2% contrapondo 5,3% de não negros, sendo que a proporção de rendimento hora dos ocupados negros é de 6,83% para 10,69% para não negros, sendo os maiores desempregados, a comunidade afro-brasileira, como é o caso de Salvador com 18% de negros contra 13% não negros (DIEESE/SEADE. A inserção dos negros nos mercados de trabalho metropolitanos, 2013).
     Devido a população afrodescendente ter uma sequela histórica pós-abolição da escravatura aqui no Brasil, Jair B. Silva propõe amplas políticas públicas para o Estado assegurar o direito do negro ser reconhecido socialmente.
Cartaz da diversidade étnica no Brasil.
EE. João R. Fernandes. Nov. 2016

     Leis e medidas

     No Brasil, a cultura afro-brasileira tem sido reconhecida e valorizada pela Constituição Federal desde 1988, sendo estabelecido pelo Artigo 5º, incisos LXII e LXIII, crime toda discriminação. O resgate da cultura afro-brasileira tem, também, o artigo 68 do Ato das Disposições constitucionais transitórias e os artigos 215 e 216 da mesma Constituição, sendo a prescrição dos direitos e deveres do Estado brasileiro com o Decreto nº 4.887/03, que vem confirmar tal artigo, regulamentando seus princípios e os procedimentos administrativos e as etapas que o efetivam como direito positivo sob a gestão do Estado.
     Pela Lei Nº 10.639/03 estabeleceu-se a valorização do patrimônio histórico-cultural dos afro-brasileiros, principalmente, pela educação escolar, buscando superar os preconceitos nos livros didáticos. O mesmo ficou foi prescrito pela Lei Nº 11.645/08 em relação as culturas indígenas no Brasil.

     Quilombos no Brasil, resistência cultural
    
     Embora haja polêmicas quanto a homologação das terras de quilombos até hoje no Congresso e no Supremo Tribunal Federal, houve seis avanços após a aprovação do Decreto acima citado, a saber: 1) o reconhecimento da diversidade populacional brasileira; 2) a valorização de saberes tradicionais; 3) a proteção da dimensão cultural da territorialidade; 4) a visibilidade de diferentes dimensões históricas; 5) a consolidação de um marco legal; e 6) as contribuições ao exercício dos direitos sociais e da cidadania. Portanto, "o quilombo é patrimônio cultural" como afirmação de Ilka Leite (2005); "é constituído por diversas referências e práticas culturais que os quilombolas consideram como sendo de suas comunidades."
     Exemplos de tradições e celebrações quilombolas: Festival de Beiju (ES), o Baile dos Congos (conhecido como Ticumbi - ES), Quicumbi (RGS), comunidade dos Arturos (MG), Irmandade do Rosário e o Terreiro Portão do Gelo (PE), confecção da boneca Abayomi (símbolo de resistência, tradição e poder feminino).

Modelos de bonecas Abayomi, que eram
feitas pelas mães africanas para suas crianças.
EE João R. Fernandes, nov 2016.
     Considerações

     O Brasil sendo o segundo país do mundo em etnia negra, afrodescendente (seja conhecido como mulato(a), moreno(a), pardo(a), cafuso(a), cabloco(a), preto(a), precisa ainda combater o racismo, o etnocentrismo, o preconceito com a cor do outro, pois todos somos iguais perante a lei e abaixo do Criador. Somo todos seres humanos, o que não justifica a onda de violência e discriminação em nosso país. Como dizia Martin Luther King: "o que incomoda não e a violência de poucos, mas o silêncio de muitos." Por isso, vamos pensar em ações que afirmem nossa humanidade, começando com o respeito às diferenças.

O racismo, um drama filosófico (I)

     Esta comunicação foi apresentada no Café filosófico na EE. João Rodrigues Fernandes, no município de Auriflama-SP, em 17 de novembro, coordenado pelo Prof. Ricardo Pires da Costa com o projeto cujo tema foi "# Qual a cor do seu preconceito?" para alunos da terceira série do ensino médio, durante o evento sobre a consciência étnico-racial, que, agora, compartilho com todos.
Café filosófico na EE João Rodrigues Fernandes
em Auriflama-SP, 17/11/2016 com os profs.
Alexandre, Ricardo, Terezinha e convidado.


     Introdução
     Há algum tempo temos ouvido notícias que jogadores foram ofendidos durante partida de futebol por torcedores do time adversário; jovens adolescentes de periferia eram mal vistos por fazerem um "rolezinho" num shopping; jornalista de uma determinada emissora foi insultada por causa de sua cor, como aconteceu com a filha adotiva dos atores Bruno Gagliasso e Giovana Ewbank, bem como uma discussão na praia do Recreio, no Rio de Janeiro com uma turista, num país como o nosso que se dizia não ter racismo.
     Mas, o que é racismo? De onde surgiu tal preconceito?
     Racismo gera etnocentrismo que causa o xenofobismo, que por sua vez cria violência provocando um drama na convivência social.
     A origem do racismo é incerta, mas na cultura ocidental, enquanto na Grécia defendia a cidadania só entre os proprietários nascidos em Atenas, os escravos e os estrangeiros eram considerados inferiores. Na Idade Média, não havia tanto uma relação racista, mas sim, xenofóbica. Com as conquistas territoriais dos portugueses na África, no século XV e, nas Américas, no século XVI, alguns ideologistas, principalmente no Renascimento, começaram a tentar explicar o porquê do domínio europeu sobre outros povos. Na Península Ibérica, Portugal não via os índios como pessoas, questionavam até, se tinham alma; porém, eram brandos em seus costumes, chegando a casarem com as índias no intuito de embranquecer o povo brasileiro. No entanto, se compararmos com os espanhóis, historicamente, o tratamento com os nativos pressupõe o surgimento às primeiras concepções racistas ou raízes da xenofobia.
     Alguns autores como: Joseph Artur de Gobineau, Herbert Spencer, Francis Galton, Adolfo Hitler defenderam a não mistura de raça ou o extermínio dos "menos fortes", sem falar de Aristóteles que em sua obra A Política, considerava o escravo como um ser não-livre, sem razão.
    
     Conceito de raça e etnia
     Segundo Otávio Ianni, a racialização do mundo emerge e desenvolve 'no jogo das forças sociais, compreendendo implicações econômicas, políticas e culturais' (IANNI, 1996), tanto nas guerras mundiais, como na guerra fria, causando intolerâncias, preconceitos, etnicismos ou os racismos.
     Após a UNESCO reunir cientistas e pensadores de vários países surgiram declarações das décadas de 1950 e 1960 sintetizando a preocupação com as tensões raciais (etnocêntrica, xenofóbica) em escala local, regional, nacional e internacional.
     Lévi-Strauss criticou o determinismo biológico e combateu a ideia de raça como falsa, pois "raça" é um termo da Biologia que significa "grupos de indivíduos distintos no interior de uma espécie". Hoje, com o desenvolvimento da Genética sabe-se que 85% da população mundial compartilham da mesma diversidade genética. (Conf. BARBUJANI, 2007). "Raça" é construída socialmente no jogo das relações sociais. O que existe entre os grupos são "Etnias", que é o conceito científico habitualmente utilizado para distinguir os indivíduos ou as coletividades por suas características fenotípicas." (IANNI, 1996).
     Portanto, "raça é uma categoria de pessoas cujas marcas físicas consideradas socialmente são significativas. Um grupo étnico é composto de pessoas cujas marcas culturais percebidas são consideradas significativas socialmente"... (língua, costumes, religião, ancestralidade). (BRYM, R; LIE, J. 2008).
    Michel Foucault trata o assunto com relação ao biopoder. (Essa parte foi desenvolvida pelo Prof. Alexandre, da EE. Dom Arthur, de Jales).

     Sobre o racismo no Brasil ...

Redação sobre o esporte, a educação e a inclusão

     Neste ano de 2016, entre tantos eventos ocorridos no Brasil, as Olimpíadas (em agosto) e as Paralimpíadas (em setembro), na cidade do Rio de Janeiro, foram um sucesso. Quanta demonstração de superação de nossos atletas! Todos estão de parabéns pelas medalhas recebidas e empenho demonstrado, mesmo que não tenha recebido o medalhão. Cada esporte foi um show a parte. Sem falar que tanto a abertura quanto o encerramento deixou o mundo maravilhado, o que permitiu "plantar" a ideia de que esporte e meio ambiente podem andar juntos.

     Antecedendo o evento, o Senado brasileiro havia aberto um concurso de redação, que acontece todos os anos para os alunos das escolas públicas do país. A aluna Gabriela Taynara Andrade da Silva, da terceira série A, da Escola Estadual Orestes Ferreira de Toledo, situado em Palmeira dp Oeste-SP, dentre tantos alunos do ensino médio, foi selecionada para enviar seu texto para a Secretaria de Educação do estado de São Paulo e concorrer com tantos outros alunos em Brasília. Embora não tenha sido completada entre os vinte e sete alunos brasileiros fica aqui registrado sua produção, demonstrando seu esforço na competência leitora e habilidade escritora desenvolvidas ao longo do seu curso do ensino médio, que foi bem acompanhada pela professora de português Isabel Cristina, da mesma unidade escolar.

     " Esporte: superação e vitória


     A teoria da interação mente-corpo proposta pelo filósofo René Descartes mostra que ambos interagem em um único ponto localizado no cérebro. De acordo com esse pensamento o esporte aprimora tanto o físico quanto o intelecto, sendo um meio de transformação e superação na vida de muitas pessoas.
     Há quem diz [diga] que a origem dos esportes data desde a era dos povos primitivos, pois para sobreviverem precisavam correr, pular, saltar, nadar entre outras atividades. No decorrer da história as civilizações buscaram[,] no esporte[,] uma forma de manter o corpo e a mente saudáveis, entretenimento, além de formação ética através da consciência de direitos e deveres com disciplina e determinação.
     [...] o esporte é uma importante arma social que contribui para o equilíbrio emocional desenvolvendo a autoestima e autoconfiança. Ademais, visa aproximar os povos eliminando as barreiras geográficas e étnicas numa confraternização mundial como acontece a cada quatro anos com a realização das Olimpíadas.
     Vale ainda lembrar que atividades esportivas são fortes aliadas na inclusão social, que encaminha para os princípios da honestidade, do respeito, livrando crianças e jovens dos vícios, criminalidade e pobreza. desse modo, a prática esportiva elimina todas as barreiras e supera expectativas, sendo um poderoso instrumento de educação para a cidadania.
      Portanto é necessário investir na evolução do desporto nas escolas, nos bairros e em todos os lugares. É imprescindível assim, aliar os esportes à rotina e permitir que crianças, jovens, adultos e idosos se sintam participantes da sociedade e desenvolvam habilidades fundamentais para o desenvolvimento físico, psicológico e educacional através de projetos, campanhas que visem o reconhecimento do esporte como canal de socialização positiva e inclusão social.

Parabéns, Gabriela pela iniciativa em participar. É escrevendo que vai aprendendo a aprimorar suas ideias. Sucesso em sua vida.

terça-feira, 29 de novembro de 2016

Café filosófico na EE João Rodrigues Fernandes





No dia 17 de novembro do corrente ano,o prof. Ricardo da Costa Pires, da EE. João Rodrigues Fernandes, e professores da Unidade escolar, realizou com os alunos da terceira série do ensino médio um Café filosófico, tendo como tema do projeto "Qual a cor do seu preconceito?"








Professores: Alexandre, Ricardo,
Terezinha e Sandra em Café filosófico
na EE João Rodrigues Fernandes. Nov 2016

     Para o evento o professor responsável, Ricardo Pires, convidou os professores de Filosofia Alexandre, da EE. Dom Arthur e da EE Juvenal (Jales), e, Maria Terezinha, da EE Orestes Ferreira de Toledo (em Palmeira D´Oeste) e EE. Oscar Antônio da Costa (em São Francisco), e a professora coordenadora pedagógica da Diretoria de Ensino de Jales-SP, Sandra Regina, que refletiram sobre o racismo não só para os alunos da Unidade escolar EE João Rodrigues Fernandes, mas também, para as terceiras séries da EE. Maria Pereira B. de Benetoli, situadas no município de Auriflama, noroeste paulista.




Café filosófico na EE João Rodrigues Fernandes
Novembro 2016
    
    Após boas vindas e apresentações de todos os presentes, o professor Ricardo iniciou sua fala com dados estatísticos da realidade brasileira quanto a descendência afro em nosso país, como taxa de desemprego, taxa de analfabetismo, de mortes entre os jovens, da população considerada negra no Brasil em geral.





     Logo depois a palavra passou para a professora de Filosofia Maria Terezinha Corrêa que discursou sobre "O racismo, um drama filosófico", citando exemplos de como o racismo está presente no cotidiano. Para a reflexão trouxe autores como Otávio Ianni, Jair Batista e outros, considerando o quanto a resistência e ações afirmativas são reconhecidas e baseadas, após conquistas, por leis que defendem os direitos da população minoritária em nosso Brasil.

    O professor Alexandre fundamentou sua fala em Michel Foucault salientando a questão do biopoder que legitima a hegemonia do Estado sobre os grupos sociais discriminados ao longo de séculos de História da humanidade.

Prof. Terezinha recebendo o certificado
de participação no Café filosófico.
Novembro 2016








Entrega de certificado para o Prof. Alexandre
Novembro de 2016



Alunos da EE João Rodrigues Fernandes
no Café Filosófico em confraternização.
Novembro 2016.
 




















   Depois da exposição houve o momento de confraternização, entrega de certificado e apresentações étnicas nas salas e no pátio, como o Navio negreiro.
   O projeto "Qual a cor do seu preconceito" demonstra que é importante abrir espaço para a conscientização de toda a escola de um modo não folclórico, mas reflexivo criando ações afirmativas na comunidade.








     Neste sentido, a professora Terezinha, também citou livros sobre os quilombos e outros de Antropologia, como O povo brasileiro, de Darci Ribeiro, além de doar à biblioteca da escola uma publicação sobre os ribeirinhos do Amazonas, intitulado "Princesa do Madeira. Os festejos entre populações ribeirinhas de Humaitá-AM", contribuindo, assim, para o enriquecimento pluriétnico de nossa história brasileira.
     Registro aqui meus agradecimento pelo convite em participar de tão nobre ação junto aos estudantes da EE João Rodrigues Fernandes que estiveram de modo exemplar atentos. Parabenizo a toda equipe gestora, professores e funcionários pela recepção.
Doação do livro Princesa do Madeira
para a EE Joao Rodrigues Fernandes
Auriflama-SP. Novembro 2016

Mural étnico racial na EE João Rodrigues
Fernandes em Auriflama-SP. Nov 2016


Porta de entrada para exposição
étnico-racial na EE João Rodrigues
Fernandes, em Auriflama-SP
Novembro 2016


Exposição de boneca africana Abayomi
EE João Rodrigues Fernandes, em Auriflama


Apresentação do Navio negreiro pelos
alunos da EE João Rodrigues Fernandes
Novembro 2016.





terça-feira, 15 de novembro de 2016

Repensando "O drama da república brasileira"

     Já faz alguns anos que tenho me preocupado com a falta de entendimento do povo sobre o que é república. Aqui no interior do estado mais populoso do Brasil, São Paulo, tem "senhorzinho" que diz não entender disso (mesmo sendo funcionário em uma escola pública). E hoje, sendo feriado da Proclamação da República, que aconteceu em 15 de novembro de 1889, voltei a reler um artigo que havia escrito em novembro de 2003, após um ano de minha dissertação de mestrado pela Universidade de São Paulo, em Antropologia - O drama da república brasileira - publicada em um periódico Revés do avesso. Resolvi publicar um trecho aqui para refletir sobre nossa atual conjuntura que tem sido sofrido para nós, brasileiros, conscientes de nossa democracia.
     "[...] Toda história tem sua dramaticidade, um ritual com conteúdo específico. Geralmente, os rituais contém mitos, e foi analisando os mitos que o estruturalismo percebeu 'códigos' que dão significado ao comportamento humano. Esses códigos dão sentido ao presente e ao futuro de um grupo social, relacionando a estrutura como algo universal.
     No Brasil, as festividades, tanto religiosas [...] quanto cívicas (dia da Independência, dia da República, etc) podem ser consideradas códigos que nos permitem entender o 'ethos' de um povo. Desde os tempos monárquicos, as festas proporcionam uma sociabilidade para formar alianças (emq eu a troca é fundamental de um grupo para outro) ou para tomar distância de identidades; de vínculos afetivos ou, também, momento de rememoração, em que 'o passado se irrompe no presente' (cf. BENJAMIN, 1985).
     As festividades são cheias de ambiguidades e metáforas: ora ela são suportes para a criatividade de uma comunidade, ora elas afirmam a perenidade das instituições de poder. (cf. DEL PRIORE, 1994). Por isso, no Brasil, mesmo tendo mudado a forma e o sistema de governo de Império para República, algumas comemorações cívicas monárquicas são mantidas. As festas oficiais relembram o passado para fortalecer a ordem social presente, contribuindo para consagrar, sancionar o regime em vigor, fortificando hierarquias, valores, normas e tabus religiosos, políticos e morais correntes (cf BAKHTIN, 1987). A ênfase heroica é demonstrada pelo 'progresso' que a 'civilização' veio trazer por meio do Estado.
     [...]
     Numa palestra para oficiais do Batalhão de Infantaria e Selva, no interior do estado do Amazonas, em junho de 2001, sobre cultura amazonense, um capitão perguntou-me se aquele povo [amazonense] era capaz de lutar por nossa terra, a nossa pátria. Diante da pergunta republicana, pensei em algumas estratégias antropológicas como resposta. A primeira indicação que lhe foi passada é que a luta pela terra, a princípio, é a da família. Essa é sagrada para a população. Lembremos de Canudos, da Cabanagem... A segunda indicação é que Humaitá, a 'Princesa do Madeira' [cidade onde estava sendo a palestra] surgiu num contexto monárquico em que havia guerras, tanto com o Paraguai como com os indígenas Parintintin, habitantes daquela região.
     A monarquia até hoje impera no imaginário coletivo do brasileiro quando utiliza os termos 'rainha dos baixinhos', 'rei Pelé', 'o rei Roberto Carlos', 'Jesus é nosso Rei' etc. Em tempo, outra indicação dada: o povo brasileiro não foi preparado pra a República. Esta nos foi imposta, segundo nos dizem os próprios livros de História. Eu aprendi o que é pátria, o que é cidadania na escola. E ainda devemos lembrar que as sociedades indígenas, que sempre habitaram nesse território, são nações sem Estado, embora desde fins de 1889 denomina-se República [...], ou seja, um Estado.
      A preocupação com as fronteiras no sentido político-geográficas brasileiras não são de hoje. O governo brasileiro sempre procurou tomar providências com relação a elas, mas a preocupação com a 'situação de fronteira' dita por MARTINS (1997) parece ser nula. Ele afirma que 'situação de fronteira' é 'um lugar do encontro e do desencontro entre grupos, etnias e classes sociais...', e também 'lugar de alteridade, do confronto (...) de destinos, de historicidades desencontradas...'. Por isso,  o lugar das festividades - que geralmente coincide com um marco da 'civilização', do 'progresso' como o lugar da fundação de um município, mas para um outro, o local era utilizado por seus antepassados para a pesca e a caça, conforme registros de várias terras indígenas ou quilombos. [...]
     [...]
    Embora nos tempos de revoltas, no Império, como a Cabanagem, cujo objetivo dos chamados 'caboclos' era de libertação das elites regionais, hoje ainda há a busca pela coisa pública, o estado de direito dos cidadãos brasileiros. A leseira (vista como indolência) passou a ser um estilo de resistência diante daqueles que pensam em dominar sua cultura, afirma SOUZA (19940).
    [...]
    Os detalhes da história são possibilidades que passam a serem vistos como verdadeiras fendas. Fendas essas que segundo BENJAMIN são importantes para revelar 'a história do que foi esquecido', que como em outros grupos liminares estudados, como os boias-frias, por DAWSEY, sintetiza 'o significado da história se encontra não numa estrutura maior, mas em 'certos eventos individuais, marginalizados e aparentemente insignificantes'... os elementos determinantes da condição humana se encontravam 'soterrados em cada momento do presente em forma de pensamentos e criações mais ameaçadas, odiadas e ridicularizadas'. Resta-nos preservar e cantar, não só no ritmo do hino da República, mas também a da escola de samba da Portela: 'Liberdade, liberdade, abre as asas sobre nós...'".(Artigo extraído da Revista Revés ao avesso, ano 12, nº 11 e 12, nov-dez/2003, pp 60-65).
     Que a República Federativa do Brasil se fortaleza na democracia, sendo necessário para isso uma educação que produza a verdadeira consciência cidadã, em que toda a população de fato participe nas decisões de interesse do país e, não apenas a um grupo de eleitos ou de suplentes supostamente eleitos. Que os Poderes sejam realmente representantes do povo, lembrando que a maioria é, ainda, analfabeta e desconhece de seus direitos. Mas, para isso, devemos ser justos ao proclamar que a soberania é de todos e não somente de alguns que entram no poder e a tomam para si. Fiquemos atentos as PECs a serem votadas e cobremos as conquistas feitas que, ainda não foram cumpridas.
    

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