Para filosofar

"No governo republicano, a virtude é fundamental, uma vez que ela elimina a corrupção [...]. É fundamental que as autoridades sejam escolhidas por suas capacidades e pela vontade de cuidar do Estado, para que o Estado assuma responsabilidades por meio de políticas capazes de cuidar das pessoas." (Caderno do aluno, Filosofia, vol 2, 1a. série, p.16)

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

O racismo, um drama filosófico (II)

     Racismo no Brasil
    
     Na tese de doutorado de Jair Batista Silva, Racismo e sindicalismo no Brasil: reconhecimento, redistribuição e ação politica das centrais acerca do racismo no Brasil (2002), diferentemente dos Estados Unidos e países anglo saxônicos, o racismo no Brasil é sutil, camuflado.
     Na América do Norte "uma gota de sangue negro era mais que suficiente para macular a suposta pureza racial dos brancos", havia uma segregação social, e ainda, há. A mancha mongólica, como é conhecida, que aparece na região inferior da coluna é o diagnóstico científico de toda criança com cruzamento de gens de etnias ou negra ou asiática ou indígena, e que só some (em alguns casos) após os dois ou três anos de idade. Por isso, ao nascer, a equipe médica já classifica a origem do bebê.
     No Brasil, a eficácia do racismo nutrira-se de uma "democracia racial", tornando a tensão racial inexistente sempre das formas mais maleáveis, mais flexíveis para atingir suas vítimas. Contudo, observando a sociedade brasileira percebemos ainda o quanto o racismo está presente, como os exemplos citados na introdução (na primeira parte deste texto).
     Indicadores da desigualdade racial do IBGE de 2013 revela que 11,8% da população parda ou preta (negra) é analfabeta comparando com a branca que é de 5,3%; serviços domésticos são 10,2% contrapondo 5,3% de não negros, sendo que a proporção de rendimento hora dos ocupados negros é de 6,83% para 10,69% para não negros, sendo os maiores desempregados, a comunidade afro-brasileira, como é o caso de Salvador com 18% de negros contra 13% não negros (DIEESE/SEADE. A inserção dos negros nos mercados de trabalho metropolitanos, 2013).
     Devido a população afrodescendente ter uma sequela histórica pós-abolição da escravatura aqui no Brasil, Jair B. Silva propõe amplas políticas públicas para o Estado assegurar o direito do negro ser reconhecido socialmente.
Cartaz da diversidade étnica no Brasil.
EE. João R. Fernandes. Nov. 2016

     Leis e medidas

     No Brasil, a cultura afro-brasileira tem sido reconhecida e valorizada pela Constituição Federal desde 1988, sendo estabelecido pelo Artigo 5º, incisos LXII e LXIII, crime toda discriminação. O resgate da cultura afro-brasileira tem, também, o artigo 68 do Ato das Disposições constitucionais transitórias e os artigos 215 e 216 da mesma Constituição, sendo a prescrição dos direitos e deveres do Estado brasileiro com o Decreto nº 4.887/03, que vem confirmar tal artigo, regulamentando seus princípios e os procedimentos administrativos e as etapas que o efetivam como direito positivo sob a gestão do Estado.
     Pela Lei Nº 10.639/03 estabeleceu-se a valorização do patrimônio histórico-cultural dos afro-brasileiros, principalmente, pela educação escolar, buscando superar os preconceitos nos livros didáticos. O mesmo ficou foi prescrito pela Lei Nº 11.645/08 em relação as culturas indígenas no Brasil.

     Quilombos no Brasil, resistência cultural
    
     Embora haja polêmicas quanto a homologação das terras de quilombos até hoje no Congresso e no Supremo Tribunal Federal, houve seis avanços após a aprovação do Decreto acima citado, a saber: 1) o reconhecimento da diversidade populacional brasileira; 2) a valorização de saberes tradicionais; 3) a proteção da dimensão cultural da territorialidade; 4) a visibilidade de diferentes dimensões históricas; 5) a consolidação de um marco legal; e 6) as contribuições ao exercício dos direitos sociais e da cidadania. Portanto, "o quilombo é patrimônio cultural" como afirmação de Ilka Leite (2005); "é constituído por diversas referências e práticas culturais que os quilombolas consideram como sendo de suas comunidades."
     Exemplos de tradições e celebrações quilombolas: Festival de Beiju (ES), o Baile dos Congos (conhecido como Ticumbi - ES), Quicumbi (RGS), comunidade dos Arturos (MG), Irmandade do Rosário e o Terreiro Portão do Gelo (PE), confecção da boneca Abayomi (símbolo de resistência, tradição e poder feminino).

Modelos de bonecas Abayomi, que eram
feitas pelas mães africanas para suas crianças.
EE João R. Fernandes, nov 2016.
     Considerações

     O Brasil sendo o segundo país do mundo em etnia negra, afrodescendente (seja conhecido como mulato(a), moreno(a), pardo(a), cafuso(a), cabloco(a), preto(a), precisa ainda combater o racismo, o etnocentrismo, o preconceito com a cor do outro, pois todos somos iguais perante a lei e abaixo do Criador. Somo todos seres humanos, o que não justifica a onda de violência e discriminação em nosso país. Como dizia Martin Luther King: "o que incomoda não e a violência de poucos, mas o silêncio de muitos." Por isso, vamos pensar em ações que afirmem nossa humanidade, começando com o respeito às diferenças.

O racismo, um drama filosófico (I)

     Esta comunicação foi apresentada no Café filosófico na EE. João Rodrigues Fernandes, no município de Auriflama-SP, em 17 de novembro, coordenado pelo Prof. Ricardo Pires da Costa com o projeto cujo tema foi "# Qual a cor do seu preconceito?" para alunos da terceira série do ensino médio, durante o evento sobre a consciência étnico-racial, que, agora, compartilho com todos.
Café filosófico na EE João Rodrigues Fernandes
em Auriflama-SP, 17/11/2016 com os profs.
Alexandre, Ricardo, Terezinha e convidado.


     Introdução
     Há algum tempo temos ouvido notícias que jogadores foram ofendidos durante partida de futebol por torcedores do time adversário; jovens adolescentes de periferia eram mal vistos por fazerem um "rolezinho" num shopping; jornalista de uma determinada emissora foi insultada por causa de sua cor, como aconteceu com a filha adotiva dos atores Bruno Gagliasso e Giovana Ewbank, bem como uma discussão na praia do Recreio, no Rio de Janeiro com uma turista, num país como o nosso que se dizia não ter racismo.
     Mas, o que é racismo? De onde surgiu tal preconceito?
     Racismo gera etnocentrismo que causa o xenofobismo, que por sua vez cria violência provocando um drama na convivência social.
     A origem do racismo é incerta, mas na cultura ocidental, enquanto na Grécia defendia a cidadania só entre os proprietários nascidos em Atenas, os escravos e os estrangeiros eram considerados inferiores. Na Idade Média, não havia tanto uma relação racista, mas sim, xenofóbica. Com as conquistas territoriais dos portugueses na África, no século XV e, nas Américas, no século XVI, alguns ideologistas, principalmente no Renascimento, começaram a tentar explicar o porquê do domínio europeu sobre outros povos. Na Península Ibérica, Portugal não via os índios como pessoas, questionavam até, se tinham alma; porém, eram brandos em seus costumes, chegando a casarem com as índias no intuito de embranquecer o povo brasileiro. No entanto, se compararmos com os espanhóis, historicamente, o tratamento com os nativos pressupõe o surgimento às primeiras concepções racistas ou raízes da xenofobia.
     Alguns autores como: Joseph Artur de Gobineau, Herbert Spencer, Francis Galton, Adolfo Hitler defenderam a não mistura de raça ou o extermínio dos "menos fortes", sem falar de Aristóteles que em sua obra A Política, considerava o escravo como um ser não-livre, sem razão.
    
     Conceito de raça e etnia
     Segundo Otávio Ianni, a racialização do mundo emerge e desenvolve 'no jogo das forças sociais, compreendendo implicações econômicas, políticas e culturais' (IANNI, 1996), tanto nas guerras mundiais, como na guerra fria, causando intolerâncias, preconceitos, etnicismos ou os racismos.
     Após a UNESCO reunir cientistas e pensadores de vários países surgiram declarações das décadas de 1950 e 1960 sintetizando a preocupação com as tensões raciais (etnocêntrica, xenofóbica) em escala local, regional, nacional e internacional.
     Lévi-Strauss criticou o determinismo biológico e combateu a ideia de raça como falsa, pois "raça" é um termo da Biologia que significa "grupos de indivíduos distintos no interior de uma espécie". Hoje, com o desenvolvimento da Genética sabe-se que 85% da população mundial compartilham da mesma diversidade genética. (Conf. BARBUJANI, 2007). "Raça" é construída socialmente no jogo das relações sociais. O que existe entre os grupos são "Etnias", que é o conceito científico habitualmente utilizado para distinguir os indivíduos ou as coletividades por suas características fenotípicas." (IANNI, 1996).
     Portanto, "raça é uma categoria de pessoas cujas marcas físicas consideradas socialmente são significativas. Um grupo étnico é composto de pessoas cujas marcas culturais percebidas são consideradas significativas socialmente"... (língua, costumes, religião, ancestralidade). (BRYM, R; LIE, J. 2008).
    Michel Foucault trata o assunto com relação ao biopoder. (Essa parte foi desenvolvida pelo Prof. Alexandre, da EE. Dom Arthur, de Jales).

     Sobre o racismo no Brasil ...

Redação sobre o esporte, a educação e a inclusão

     Neste ano de 2016, entre tantos eventos ocorridos no Brasil, as Olimpíadas (em agosto) e as Paralimpíadas (em setembro), na cidade do Rio de Janeiro, foram um sucesso. Quanta demonstração de superação de nossos atletas! Todos estão de parabéns pelas medalhas recebidas e empenho demonstrado, mesmo que não tenha recebido o medalhão. Cada esporte foi um show a parte. Sem falar que tanto a abertura quanto o encerramento deixou o mundo maravilhado, o que permitiu "plantar" a ideia de que esporte e meio ambiente podem andar juntos.

     Antecedendo o evento, o Senado brasileiro havia aberto um concurso de redação, que acontece todos os anos para os alunos das escolas públicas do país. A aluna Gabriela Taynara Andrade da Silva, da terceira série A, da Escola Estadual Orestes Ferreira de Toledo, situado em Palmeira dp Oeste-SP, dentre tantos alunos do ensino médio, foi selecionada para enviar seu texto para a Secretaria de Educação do estado de São Paulo e concorrer com tantos outros alunos em Brasília. Embora não tenha sido completada entre os vinte e sete alunos brasileiros fica aqui registrado sua produção, demonstrando seu esforço na competência leitora e habilidade escritora desenvolvidas ao longo do seu curso do ensino médio, que foi bem acompanhada pela professora de português Isabel Cristina, da mesma unidade escolar.

     " Esporte: superação e vitória


     A teoria da interação mente-corpo proposta pelo filósofo René Descartes mostra que ambos interagem em um único ponto localizado no cérebro. De acordo com esse pensamento o esporte aprimora tanto o físico quanto o intelecto, sendo um meio de transformação e superação na vida de muitas pessoas.
     Há quem diz [diga] que a origem dos esportes data desde a era dos povos primitivos, pois para sobreviverem precisavam correr, pular, saltar, nadar entre outras atividades. No decorrer da história as civilizações buscaram[,] no esporte[,] uma forma de manter o corpo e a mente saudáveis, entretenimento, além de formação ética através da consciência de direitos e deveres com disciplina e determinação.
     [...] o esporte é uma importante arma social que contribui para o equilíbrio emocional desenvolvendo a autoestima e autoconfiança. Ademais, visa aproximar os povos eliminando as barreiras geográficas e étnicas numa confraternização mundial como acontece a cada quatro anos com a realização das Olimpíadas.
     Vale ainda lembrar que atividades esportivas são fortes aliadas na inclusão social, que encaminha para os princípios da honestidade, do respeito, livrando crianças e jovens dos vícios, criminalidade e pobreza. desse modo, a prática esportiva elimina todas as barreiras e supera expectativas, sendo um poderoso instrumento de educação para a cidadania.
      Portanto é necessário investir na evolução do desporto nas escolas, nos bairros e em todos os lugares. É imprescindível assim, aliar os esportes à rotina e permitir que crianças, jovens, adultos e idosos se sintam participantes da sociedade e desenvolvam habilidades fundamentais para o desenvolvimento físico, psicológico e educacional através de projetos, campanhas que visem o reconhecimento do esporte como canal de socialização positiva e inclusão social.

Parabéns, Gabriela pela iniciativa em participar. É escrevendo que vai aprendendo a aprimorar suas ideias. Sucesso em sua vida.

terça-feira, 29 de novembro de 2016

Café filosófico na EE João Rodrigues Fernandes





No dia 17 de novembro do corrente ano,o prof. Ricardo da Costa Pires, da EE. João Rodrigues Fernandes, e professores da Unidade escolar, realizou com os alunos da terceira série do ensino médio um Café filosófico, tendo como tema do projeto "Qual a cor do seu preconceito?"








Professores: Alexandre, Ricardo,
Terezinha e Sandra em Café filosófico
na EE João Rodrigues Fernandes. Nov 2016

     Para o evento o professor responsável, Ricardo Pires, convidou os professores de Filosofia Alexandre, da EE. Dom Arthur e da EE Juvenal (Jales), e, Maria Terezinha, da EE Orestes Ferreira de Toledo (em Palmeira D´Oeste) e EE. Oscar Antônio da Costa (em São Francisco), e a professora coordenadora pedagógica da Diretoria de Ensino de Jales-SP, Sandra Regina, que refletiram sobre o racismo não só para os alunos da Unidade escolar EE João Rodrigues Fernandes, mas também, para as terceiras séries da EE. Maria Pereira B. de Benetoli, situadas no município de Auriflama, noroeste paulista.




Café filosófico na EE João Rodrigues Fernandes
Novembro 2016
    
    Após boas vindas e apresentações de todos os presentes, o professor Ricardo iniciou sua fala com dados estatísticos da realidade brasileira quanto a descendência afro em nosso país, como taxa de desemprego, taxa de analfabetismo, de mortes entre os jovens, da população considerada negra no Brasil em geral.





     Logo depois a palavra passou para a professora de Filosofia Maria Terezinha Corrêa que discursou sobre "O racismo, um drama filosófico", citando exemplos de como o racismo está presente no cotidiano. Para a reflexão trouxe autores como Otávio Ianni, Jair Batista e outros, considerando o quanto a resistência e ações afirmativas são reconhecidas e baseadas, após conquistas, por leis que defendem os direitos da população minoritária em nosso Brasil.

    O professor Alexandre fundamentou sua fala em Michel Foucault salientando a questão do biopoder que legitima a hegemonia do Estado sobre os grupos sociais discriminados ao longo de séculos de História da humanidade.

Prof. Terezinha recebendo o certificado
de participação no Café filosófico.
Novembro 2016








Entrega de certificado para o Prof. Alexandre
Novembro de 2016



Alunos da EE João Rodrigues Fernandes
no Café Filosófico em confraternização.
Novembro 2016.
 




















   Depois da exposição houve o momento de confraternização, entrega de certificado e apresentações étnicas nas salas e no pátio, como o Navio negreiro.
   O projeto "Qual a cor do seu preconceito" demonstra que é importante abrir espaço para a conscientização de toda a escola de um modo não folclórico, mas reflexivo criando ações afirmativas na comunidade.








     Neste sentido, a professora Terezinha, também citou livros sobre os quilombos e outros de Antropologia, como O povo brasileiro, de Darci Ribeiro, além de doar à biblioteca da escola uma publicação sobre os ribeirinhos do Amazonas, intitulado "Princesa do Madeira. Os festejos entre populações ribeirinhas de Humaitá-AM", contribuindo, assim, para o enriquecimento pluriétnico de nossa história brasileira.
     Registro aqui meus agradecimento pelo convite em participar de tão nobre ação junto aos estudantes da EE João Rodrigues Fernandes que estiveram de modo exemplar atentos. Parabenizo a toda equipe gestora, professores e funcionários pela recepção.
Doação do livro Princesa do Madeira
para a EE Joao Rodrigues Fernandes
Auriflama-SP. Novembro 2016

Mural étnico racial na EE João Rodrigues
Fernandes em Auriflama-SP. Nov 2016


Porta de entrada para exposição
étnico-racial na EE João Rodrigues
Fernandes, em Auriflama-SP
Novembro 2016


Exposição de boneca africana Abayomi
EE João Rodrigues Fernandes, em Auriflama


Apresentação do Navio negreiro pelos
alunos da EE João Rodrigues Fernandes
Novembro 2016.





terça-feira, 15 de novembro de 2016

Repensando "O drama da república brasileira"

     Já faz alguns anos que tenho me preocupado com a falta de entendimento do povo sobre o que é república. Aqui no interior do estado mais populoso do Brasil, São Paulo, tem "senhorzinho" que diz não entender disso (mesmo sendo funcionário em uma escola pública). E hoje, sendo feriado da Proclamação da República, que aconteceu em 15 de novembro de 1889, voltei a reler um artigo que havia escrito em novembro de 2003, após um ano de minha dissertação de mestrado pela Universidade de São Paulo, em Antropologia - O drama da república brasileira - publicada em um periódico Revés do avesso. Resolvi publicar um trecho aqui para refletir sobre nossa atual conjuntura que tem sido sofrido para nós, brasileiros, conscientes de nossa democracia.
     "[...] Toda história tem sua dramaticidade, um ritual com conteúdo específico. Geralmente, os rituais contém mitos, e foi analisando os mitos que o estruturalismo percebeu 'códigos' que dão significado ao comportamento humano. Esses códigos dão sentido ao presente e ao futuro de um grupo social, relacionando a estrutura como algo universal.
     No Brasil, as festividades, tanto religiosas [...] quanto cívicas (dia da Independência, dia da República, etc) podem ser consideradas códigos que nos permitem entender o 'ethos' de um povo. Desde os tempos monárquicos, as festas proporcionam uma sociabilidade para formar alianças (emq eu a troca é fundamental de um grupo para outro) ou para tomar distância de identidades; de vínculos afetivos ou, também, momento de rememoração, em que 'o passado se irrompe no presente' (cf. BENJAMIN, 1985).
     As festividades são cheias de ambiguidades e metáforas: ora ela são suportes para a criatividade de uma comunidade, ora elas afirmam a perenidade das instituições de poder. (cf. DEL PRIORE, 1994). Por isso, no Brasil, mesmo tendo mudado a forma e o sistema de governo de Império para República, algumas comemorações cívicas monárquicas são mantidas. As festas oficiais relembram o passado para fortalecer a ordem social presente, contribuindo para consagrar, sancionar o regime em vigor, fortificando hierarquias, valores, normas e tabus religiosos, políticos e morais correntes (cf BAKHTIN, 1987). A ênfase heroica é demonstrada pelo 'progresso' que a 'civilização' veio trazer por meio do Estado.
     [...]
     Numa palestra para oficiais do Batalhão de Infantaria e Selva, no interior do estado do Amazonas, em junho de 2001, sobre cultura amazonense, um capitão perguntou-me se aquele povo [amazonense] era capaz de lutar por nossa terra, a nossa pátria. Diante da pergunta republicana, pensei em algumas estratégias antropológicas como resposta. A primeira indicação que lhe foi passada é que a luta pela terra, a princípio, é a da família. Essa é sagrada para a população. Lembremos de Canudos, da Cabanagem... A segunda indicação é que Humaitá, a 'Princesa do Madeira' [cidade onde estava sendo a palestra] surgiu num contexto monárquico em que havia guerras, tanto com o Paraguai como com os indígenas Parintintin, habitantes daquela região.
     A monarquia até hoje impera no imaginário coletivo do brasileiro quando utiliza os termos 'rainha dos baixinhos', 'rei Pelé', 'o rei Roberto Carlos', 'Jesus é nosso Rei' etc. Em tempo, outra indicação dada: o povo brasileiro não foi preparado pra a República. Esta nos foi imposta, segundo nos dizem os próprios livros de História. Eu aprendi o que é pátria, o que é cidadania na escola. E ainda devemos lembrar que as sociedades indígenas, que sempre habitaram nesse território, são nações sem Estado, embora desde fins de 1889 denomina-se República [...], ou seja, um Estado.
      A preocupação com as fronteiras no sentido político-geográficas brasileiras não são de hoje. O governo brasileiro sempre procurou tomar providências com relação a elas, mas a preocupação com a 'situação de fronteira' dita por MARTINS (1997) parece ser nula. Ele afirma que 'situação de fronteira' é 'um lugar do encontro e do desencontro entre grupos, etnias e classes sociais...', e também 'lugar de alteridade, do confronto (...) de destinos, de historicidades desencontradas...'. Por isso,  o lugar das festividades - que geralmente coincide com um marco da 'civilização', do 'progresso' como o lugar da fundação de um município, mas para um outro, o local era utilizado por seus antepassados para a pesca e a caça, conforme registros de várias terras indígenas ou quilombos. [...]
     [...]
    Embora nos tempos de revoltas, no Império, como a Cabanagem, cujo objetivo dos chamados 'caboclos' era de libertação das elites regionais, hoje ainda há a busca pela coisa pública, o estado de direito dos cidadãos brasileiros. A leseira (vista como indolência) passou a ser um estilo de resistência diante daqueles que pensam em dominar sua cultura, afirma SOUZA (19940).
    [...]
    Os detalhes da história são possibilidades que passam a serem vistos como verdadeiras fendas. Fendas essas que segundo BENJAMIN são importantes para revelar 'a história do que foi esquecido', que como em outros grupos liminares estudados, como os boias-frias, por DAWSEY, sintetiza 'o significado da história se encontra não numa estrutura maior, mas em 'certos eventos individuais, marginalizados e aparentemente insignificantes'... os elementos determinantes da condição humana se encontravam 'soterrados em cada momento do presente em forma de pensamentos e criações mais ameaçadas, odiadas e ridicularizadas'. Resta-nos preservar e cantar, não só no ritmo do hino da República, mas também a da escola de samba da Portela: 'Liberdade, liberdade, abre as asas sobre nós...'".(Artigo extraído da Revista Revés ao avesso, ano 12, nº 11 e 12, nov-dez/2003, pp 60-65).
     Que a República Federativa do Brasil se fortaleza na democracia, sendo necessário para isso uma educação que produza a verdadeira consciência cidadã, em que toda a população de fato participe nas decisões de interesse do país e, não apenas a um grupo de eleitos ou de suplentes supostamente eleitos. Que os Poderes sejam realmente representantes do povo, lembrando que a maioria é, ainda, analfabeta e desconhece de seus direitos. Mas, para isso, devemos ser justos ao proclamar que a soberania é de todos e não somente de alguns que entram no poder e a tomam para si. Fiquemos atentos as PECs a serem votadas e cobremos as conquistas feitas que, ainda não foram cumpridas.
    

terça-feira, 1 de novembro de 2016

Filósofos-vivos no XVII Encontro Nacional da ANPOF em Aracaju

Catálogo da programa do XVII
Encontro Nacional de Pós-graduação
de Filosofia - Outubro 2016

     A cidade de Aracaju, capital do estado de Sergipe, nos dias 17 a 21 de outubro do corrente ano, sediou o XVII Encontro Nacional da ANPOF (Associação Nacional Pós-graduação de Filosofia) e o III ANPOF Ensino médio (para professores de lecionam Filosofia no ensino médio), na Universidade Federal de Sergipe (UFS), tendo como objetivo apresentação de trabalhos contemporâneos pelos diversos pensadores brasileiros.
Apresentação de dança renascentista
na abertura do XVII  Encontro Nacional
da ANPOF na UFS. Outubro 2016.

            
Mesa com autoridades na abertura
do XVII Encontro Nacional da ANPOF.
UFS, Aracaju-SE, Outubro 2016
























     Durante a semana da ANPOF houve vários estudos sobre temáticas filosóficas desde os clássicos até as questões contemporâneas, apresentadas em conferências, mesas redondas, GTs (Grupos de trabalhos), minicursos, sessão temática coordenadas por diversos pensadores brasileiros como os professores doutores: Renato Janine, Marilena Chauí (ambos da USP), Paula Ramos (UFSCar), Edgar Lyra (PUC-Rio), Junot (UFPE) entre outros, tendo mais de dois mil participantes inscritos.

Conferência com o filósofo Renato Janine (USP)
na UFS, XVII Encontro Nacional da ANPOF
Outubro 2016.


Filósofos brasileiros participantes do XVII
Encontro Nacional da ANPOF, na UFS.
 Outubro 2016.

Filósofa Marilena Chauí (USP) com a
professora Terezinha, durante o XVII
Encontro Nacional da ANPOF. Out 2016.


Filósofos em minicurso durante o XVII
Encontro Nacional da ANPOF. Out 2016.







   
Filósofo Junot Matos (UFPE) em minicurso
Do Ensino à ensinagem para III Encontro da
ANPOF Ensino médio. Out 2016.
     Além dos trabalhos apresentados e discussão sobre temáticas reflexivas da experiência humana ao longo do Encontro Nacional da ANPOF houve, também, eventos culturais tais como: lançamentos de livros filosóficos e apresentação de grupo folclóricos.
Coquetel e lançamento de livros filosóficos
no Museu sergipano, Aracaju-SE, 2016

Filósofo Marcelo Primo UFS e seu livro
sobre Ateísmo. Outubro 2016.


Filósofo Jerry Adriano e seu
livro Filosofia no ensino médio.
Outubro 2016.


Filósofa Reilta (RGN) e seu livro sobre
Filosofia para crianças com Profa. de Filosofia
Terezinha e seu livro. UFS, Outubro 2016

     O III Encontro da ANPOF Ensino médio foi mediado por filósofos da UFRGS, PUC-Rio, UFPR dentre outros, cujo objetivo foi refletir sobre o ensino de Filosofia nas várias escolas públicas. Houve apresentação de trabalhos, troca de experiências sobre recursos didáticos e momentos de confraternização,  o que enriqueceu tanto intelectual quanto profissional cada um dos participantes.
Mesa coordenadora do III Encontro Nacional
 da ANPOF Ensino médio. Outubro 2016

Professores José (RGN) e Marta (USP)
junto com Profa. Terezinha, UFS, Out. 2016

Professores de Filosofia na UFS, durante
III Encontro Nacional da ANPOF EM.
Outubro 2016.






















     Apesar da discussão nacional da disciplina de Filosofia no currículo do ensino médio, os filósofos estão mais vivos do que nunca, ocupando as cadeiras acadêmicas e as vagas nas escolas públicas e privadas do nosso Brasil, contribuindo, assim, para a formação ética e cidadã dos jovens brasileiros.
     Para quem quer conhecer a Associação Nacional de Pós-graduação em Filosofia entre no site da entidade http://www.anpof.org.br.




























domingo, 16 de outubro de 2016

Filosofia em ação em campanha Minha escola, nossa gente


     No terceiro bimestre deste ano de 2016, a novidade da prática pedagógica no projeto Filosofia em ação foi a produção de um folder para a campanha de preservação da Unidade escolar, no caso, EE. Orestes Ferreira de Toledo.


     Além de refletir situações-problemas contemporâneos, o desafio aos estudantes da segunda série foi propor em folder recomendações aos estudantes do ensino fundamental II e colegas do ensino médio de conduta cidadã.


Folder sobre limpeza produzido
por grupo da 2a. A ago 2016
Parte interna do folder sobre manter
a escola limpa, produzido pela 2a. A
EE. Orestes F. de Toledo, ago 2016
























     Os grupos organizaram-se por temas de situações-problemas que ocorrem na Unidade escolar como limpeza, quadra, pátio, bullying, horta, tipos de cumprimentos, respeito às diferenças, tipos de músicas dentre outros.
     No folder além de apresentar o objetivo do projeto criado pelo grupo, também foi necessário acrescentar a estatística levantada após pesquisa de campo sugerido na disciplina de Sociologia, que interagiu de modo interdisciplinar com a investigação.
     Após apresentações empíricas sobre o que falaram em seminário, os grupos apresentaram a melhor forma de todos contribuírem para a preservação da cidadania, tanto num sala de aula quanto pelos corredores, banheiros etc.






Folder produzido pelo grupo da acessibilidade
da 2C EE Orestes F. de Toledo. Ago 2016
Folder de combate ao bullying na escola
Orestes F. de Toledo produzido por
grupo da 2C. Agosto 2016.






















Após apresentações para as séries do ensino fundamental II, cada sala de aula teve a exposição de cada folder para lembrar da importância da parceria de todos para um melhor convívio no ambiente escolar. A todos os envolvidos, parabéns por mais uma habilidade demonstrada de modo interdisciplinar.

Alunos da 2a. série A junto com classes
do ensino fundamental em campanha
Minha escola, nossa gente. Agos 2016
Grupos da 2a. série C da EE Orestes
F. de Toledo em campanha Minha escola,
nossa gente período da tarde. Ago 2016







 

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